sexta-feira, 20 de março de 2015

Necessidade

A necessidade de falar
Me calou
Queria tanto me expressar
Que cansou
Agora olho pra dentro
E por dentro sinto a necessidade do silêncio
Mesmo que o silêncio aperte o peito
Que a lágrima corra como em um desfiladeiro
Ultrapassando os canions
Que o tempo nos presenteou na face
Doí o externo
Doí por dentro
Mas vou insistir
Na inquietude do silêncio
Apenas ouvir o ranger dos moinhos de ventos
Já que a voz de Dulcineia
Nunca mais meu ouvido tocou
Agora o barulho é eletrônico
Estereofônico
Se torna afônico
Por tantas vezes irônico
Me rendo
Me junto
E fico com a afonia do meu ser
Quero rir, mas tenho lágrimas
Quero sonho, mas tenho matéria
Quero ouvir as notas
Mas que ninguém me note
Ou anote ao me ver passar
Deixem a rosa amarela murchar
Deixem o rio secar
A lua cada vez mais distante
Com o tempo deixará as marés
E as marés enfim se revoltarão
Cesso aqui sem terminar
Cesso aqui por cansar
Fecho os olhos
E espero o amanhã
Sem muito remédio
Para os meus próximos
Cem anos de solidão.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Pensamentos não tão bons

Um lado de mim quer ver algo positivo
O outro lado não acredita em mais nada
Quando acordo em qual mentira vou acreditar
Que falso sorriso vou estampar em meu rosto
Queria acreditar que existe verdade
Queria acreditar que existe bondade
Mas com uma analise rasa
Percebe que não tem mais nada
Castelos de cartas marcadas
Fragilidade exacerbada
Um império de quase nada
Pensar nos dois lado pra quê
Se sempre tem um lado enganador
Pensar nos dois lado pra quê
Se tem gente causando o terror
O poder podre
Os podres do poder
Fazer o bem é algo que não se deve fazer?
Tenho que parar
Sentar, respirar
Tenho que voltar a ter saudade
Tentar acreditar
Mas ao levantar penso
Em qual mentira vou me instalar