sábado, 24 de janeiro de 2015

Pulsa

Pulsa no peito a alegria de ser
Transborda no rosto o sentimento de estar
Transcende o corpo a certeza de ter
E quanto menos espera
Algo volta a brilhar
Liquidando a escuridão
Abrindo janelas
Solidificando sensações
Que há muito tempo eram só lembranças
Pulsa no peito para fortalecer
E com cada passo se faz melhor
Sorria internamente para você ver
Que a dor não é motivo de dó
Voa se tiver vontade
Corra se tiver saudade
Ligue só para dizer oi
E amanhã pode ser hoje
Só que ainda mais feliz
Sinta o cheiro do que tem de bom
Respire como fosse a primeira vez
Deixe os pés te levar
Com leveza que a alegria merece
E se amanhã a escuridão voltar
Feche os olhos e lembre-se
A alegria em meu peito se faz ao pulsar.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Pergunta de criança

Outro dia crianças me perguntaram: "Por que você não namora? Por que você não tem alguém?" Meninas de 7 ou 8 anos, três para falar a verdade. Um tempo atrás essa pergunta me deixaria bolado, pensativo e até envergonhado, mas com o tempo fui percebendo minhas fraquezas e até entendo e de certa forma aceitando algumas condições.
Quando moleque, a época da pegação, azaração e tudo mais, eu era o gordinho tímido e de bom ouvido. Então não era raro a menina que eu gostava puxar papo para chegar em um amigo. Eu como bom samaritano dava o caminho e seguia no caminho contrario.
O tempo foi passando e as coisas não mudaram muito. Mas hoje sem grilo assumi a minha inexperiência com as mulheres, mesmo sendo um grande admirador e um eterno apaixonado. Então a resposta que me deixaria envergonhado saiu com uma naturalidade de quem já não liga muito pra isso. A resposta foi a seguinte: "Não sou eu que não namoro, são elas que não querem namorar comigo." Ai veio a segunda pergunta: "Mas por que elas não querem."A resposta também saiu natural: "Não sei, tem que perguntar pra elas."
É engraçado perceber que coisas que tiraram noites de sono, lágrimas dos olhos e preocupação demais por ser o errado da história, hoje é apenas um detalhe que eu nunca tive o controle por tanto não posso ser o único culpado.
Vivi amores e aventuras, na maioria Platão foi a figura e então vamos seguindo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Decisão (título provisório) parte 1


Novo mundo

Aquele dia ela estava feliz em seu quarto de pensão, em sua privacidade declarada, em seu mundo escolhido. Ela decidiu não se submeter as regras dos pais, saiu de casa sem rumo, mas decidida a seguir em frente. Mora em um quarto que tem três por quatro metros. Parece não ser muito, mas sobra espaço para sua vida nova, para os seu novos amigos, para suas novas aventuras. Ela está sozinha, ainda sem proteção, sem segurança de sair a noite, sem segurança para sair de dia. Mas ela já tinha sua decisão tomada, aquele dia ela estava feliz. 
No quarto apenas uma cama, um pequeno armário e uma mesa. Em cima da mesa tinha quase nada, sendo quase tudo o que ela tinha. A pouca roupa que trouxe foi o que coube na mochila surrada, cheia de desenhos da época da escola e botons de bandas que ela adorava. Debaixo do colchão ela deixou uma faca, ela não se sentia segura, mas a felicidade a recompensava. O rádio, pequeno mas com todas as musicas para ela suportar o amanhã, foi posto no chão, ao lado da cama, ao alcance do braço. Junto com o rádio dois livros. O mundo de Sofia e O apanhador no campo de centeio, os dois lidos pelo menos três vezes cada, mas companheiros enquanto fizer sentido ser, era o que ela dizia ao reler. 
Era o primeiro dia longe de tudo que ela conhecia e a noite nunca pareceu tão sombria. Barulhos que não cessam, passos, risadas, vidas. Muito diferente do silêncio imposta pelas regras que ela escolheu não mais seguir. A respiração agora é pesada, um momento de hesitação, mas vem em sua cabeça a voz que disse não durar mais de uma noite a rebeldia revolucionária de quem teve tudo sem nenhum esforço, essa lembrança recente serviu de acalanto em meio a escuridão barulhenta de seu novo lar. E assim ela adormeceu.
No dia seguinte mal o sol nasce e ela está de pé, tem entrevista em uma loja de CDs antigos que é de um amigo de um amigo que decidiu ajudar. A loja fica na galeria do Rock, praticamente o patio do colégio dela, melhor dizendo aonde ela estava quando devia estar na escola. Ela estava ciente que seria um novo mundo, transformaria o lugar de diversão e lazer em seu lugar de trabalho. Foi disposta a começar no mesmo dia e convencer que seria capaz de trabalhar bem e conquistar o seu pão com o próprio esforço. A entrevista correu bem, tudo como planejado começou a trabalhar no mesmo dia, limpou e conheceu todos os CDs e discos da loja, as raridades e os sagrados era assim que o pessoal da loja classificava as relíquias das lojas. Não parecia trabalho pra ela e sim diversão. Conheceu os esconderijos das relíquias, ficava animada por ver coisas que antes só tinha escutado histórias. No horário do almoço comeu como se não tivesse amanhã, na verdade comeu pensando em aguentar até amanhã, pois não teria dinheiro para comprar algo para o jantar, só tinha dinheiro para completar a semana e teve vergonha de pedir para guardar um pouco para janta, pois almoçou junto com dois funcionários da loja e o seu novo chefe. Voltou do almoço continuou seu trabalho com a mesma dedicação e felicidades com as descobertas naquele mar musical. No fim do dia cansada não teve barulho que a incomodasse. Ela apenas dormiu.
Continua...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cíclico

Um disco
Um canto
Um sorriso
Uma lembrança

Um estado inconstante
Um momento de paz
Mistura-se a certeza
Com a dúvida trivial

Volta ao disco
Escolhe outro canto
Mais um belo sorriso
A lembrança se torna acalanto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Amolecerá?

Ele antes inquieto se calou
As vezes até tenta gritar
Mas petrificou
Não por medo
Mas por muito pavor

Ele ainda trabalha
Ele ainda circula
Mas trava em casos
E acasos também
Trava como se nunca fosse ninguém

Ele nutre ternura
Ele enxerga candura
Mas sempre em terceira pessoa
Ele não conjuga o eu

O medo é antigo
E tornou-se breu
Mas aos poucos tenta reencontrar a luz
Tateando cada passo
Cada pulso
Cada silêncio
Cada barulho

De dura suas paredes voltam a amolecer
Mas a qualquer sinal de perigo
Como tartaruga volta ao esconderijo
E para sair de novo
É o mesmo sacrifício de nascer de um ovo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Memórias de uma grande amiga

Ela foi companheira em sua vida inteira
Teve aquela vez que tive que escolher entre ela ou a caça
E a outra vez que entrou em um buraco e tive que entrar junto
Ela era incansável
Tinha um olhar que dava medo para quem não a conhecia
Mas me deixava apaixonado pela ternura
Lembro de um amigo que veio me visitar
Ela estava com filhotes
E não pensou duas vezes sentou no colo do rapaz
Bastava um movimento dele que ela rosnava
Eu me diverti com a situação
Enquanto me amigo suava de aflição
Ela ia comigo ao mercado
Sempre solta
Sempre ao meu lado
Me seguia para aonde quer que eu fosse
Nas aventuras da infância eu tive uma amiga
E ela não era imaginaria
Naquela época tinha terrenos em volta
Com muito mato
E o que ela mais gostava era sair para caçar
Nunca pegamos nada
A não ser um grande amor um pelo outro
Ela era minha proteção
Talvez ainda seja
Faz muito tempo que ela foi embora
Mas sempre lembro
Sempre revivo as histórias
Ela chegou do nada
Nos braços de uma moça
Que subia uma viela
Uma bola preta, peluda e tranquila
O nome dela era Paloma
Mas tinha um vizinho que a chamava de Xuxa Preta
Este vizinho era dono de uma bar
Aonde ela aparecia todo dia para lanchar
E lá estava servido o seu café da manhã
Fatias de queijo e mortadela
Ela entrava
Se esgueirava por debaixo do balcão
E comia seu lanche sem preocupação
Teve um dia que a carrocinha veio atrás dela
Estava com laço armado para o bote
Mas o seu amigo do bar não pensou duas vezes
Jogou um pedaço de queijo no fundo do bar
E gritou
Vai Xuxa pegar!
O funcionário da carrocinha ficou contrariado
Mas ela foi salva pelo seu amigo mais chegado
E é assim que acontece
Começa lembrar vem uma atrás da outra
Eles chegam em nossas vidas
Ficam pouco
E quando vimos ficou só as memórias
Mas ficam boas memórias
E que memórias.