sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Eu me atrevi

Hoje eu me atrevi a sorrir para alguém. Estava com medo da resposta. Medo de pensarem que eu era um idiota ou que queria algo em troca. Até queria, mas era apenas um sorriso de volta. Hoje eu me atrevi a sorrir sem vergonha. Queria resgatar algo que me roubaram. Eu queria algo de volta. Então aconteceu, recebi um sorriso lindo e uma palavra de agradecimento. Quando ouvi, obrigado por sorrir, fiquei imaginando quanta gente passa pelo dia sem se quer dar um sorriso, imaginei então a falta de um abraço. Meu peito tem ficado amargo. E olha que aprendi desde de cedo a dar um bom abraço. Espalhar um belo sorriso, mesmo quando ele não era necessário. Mas foram martelando, foram encolhendo e quando percebi evitava sorrir e me apropriei do abraço frouxo, sabe aquele que dá por conveniência, não chega coração com coração. Mas hoje eu me atrevi. Então apenas sorri e o reflexo do meu sorriso me fez melhor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Hobby?

Todo dia eu desço para cuidar de algo que me faz bem.
Vejo fruto nascendo. Folhas crescendo. Aprendo técnicas novas, sempre sem a responsabilidade de acertar. É meu hobby. São pequenas felicidades regadas todos os dias. Colher o que plantou. Ver amadurecer o que era broto e frutificou. Florescer a planta que antes era só verde e hoje traz a surpresa de sua cor, seu formato e porque não o seu amor.
Com ela, minha companheira, uma cadela fagueira que me lembra todo dia. É hora de descer eu cuido das plantas, ela vigia os gatos. Eu falo com os pássaros. Ela se impõe correndo para todos os lados.
Ainda tenho que olhar as minhas minhocas, que tem a função de comer o que antes era jogado fora e hoje vira vida concentrada. Outro dia muitas delas morreram, não entendi porque, mas sabe que rolou até um sofrer, algumas mudanças vou fazer para que isso não volte acontecer.
Faço tudo isso em menos de duas horas, é um hobby, mas se não fizer sinto uma grande falta. E é engraçado como a cabeça esvazia, a respiração acalma ai percebo que ali não rola dar e sim trocar. Acho que as plantas chamam isso de fotossíntese. Eu estou começando a chamar de amar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cotidiano silencioso

Já são três e dez da manhã.
Deveria estar cansado.
Deveria estar com sono.
Mas estou aqui trabalhando.
E já são três e dez da manhã.
Já busquei o problema.
Será que não sou normal?
Vi que não.
Li que não.
Mas sempre tem alguém para dizer.
Você tem que acordar cedo.
Isto não é vida.
Tem que acertar os seus horários.
Já são três e treze da manhã.
Estou produzindo muito.
Estou trabalhando bastante.
Mas as vozes de quem critica ecoa.
A dor no peito magoa.
Mas já são três e quinze da manhã.
No rádio uma entrevista reprisada.
No computador um vídeo sendo renderizado.
Amanhã tenho que pegar exames.
Pois obrigaram resolver os meus problemas.
Parece que é só isso.
Se mova.
Resolva.
Se trate.
Não se maltrate.
E a única coisa que penso.
É que são três e dezessete da manhã.
No rádio quem fala é o Pelé.
Mas não fala dele, fala de Pépe.
E o vídeo continua sendo renderizado.
Amanhã eu tenho exames para buscar.
Burocracias para cumprir.
Mas quando chegar a madrugada.
Estarei pronto para produzir.
Agora já são três e vinte da manhã.
E o vídeo renderizou.
Vamos para o próximo.