(Ainda sem título)
Parte 2
No dia seguinte tentei
mais uma vez chegar ao meu destino. Os problemas foram os mesmos do
dia anterior, mas tentei de forma desafiadora vencer aquele mal estar, mesmo sem saber o que era aquilo. Na porta da editora, quase sem
forças para ficar em pé, eu me apoiei na parede para tentar
recuperar o fôlego e continuar mais um trecho daquela batalha.
Fiquei parado por uns cinco minutos, mas parecia estar me equilibrando
em frágeis estacas prestes a quebrar com um leve movimento do meu
corpo. Naquele momento eu só pensava em ir pra casa, mas ao mesmo
tempo queria desafiar este mal que me afligia de forma tão cruel.
No momento que eu já
desistia de qualquer tentativa de avançar senti um toque leve em meu
braço e uma voz familiar perguntando se eu precisava de ajuda.
Fiquei quieto apenas balancei a cabeça negativamente na esperança
de me livrar de seja lá quem fosse. Mas não foi suficiente a voz se
identificou como secretaria da editora e também que havia me
reconhecido. Confirmei que eu seria o escritor e que tinha falado com
ela no dia anterior, ela percebeu o suor escorrendo no meu rosto e a
fragilidade em que me encontrava e disse que eu ainda não estava em
condições de enfrentar reuniões naquele estado. Apenas balancei a
cabeça concordando com ela. A secretaria então segurou mais forte
em meu braço e disse que iria me levar de volta para minha casa e
alertou que não adiantava protestar. Pensei que seria um longo
caminho, cheio de perguntas de uma jovem secretaria se achando no
direito por salvar-me daquela situação, mas aconteceu o contrário,
ela não fez nenhuma pergunta, apenas me segurou por um tempo
enquanto caminhávamos.
Quanto mais próximo de
casa, mas bem disposto eu ficava só que já não tinha vontade de mandar
a secretaria ir embora, a companhia silenciosa estava me fazendo bem.
Chegando na porta de casa falei que já estava recuperado e que só
precisava descansar e que ela poderia voltar para editora que
depois eu ligava para o pessoal para explicar o atraso dela. Ela
simplesmente entrou pela portaria dizendo que só saia de lá depois
de me ver deitado na cama e pronto para descansar. Fui duro dizendo não
precisar de mais ajuda, mas ela ignorou toda e qualquer autoridade
que tentei demonstrar naquele momento, ela já estava segurando a porta
do elevador esperando eu entrar.
Em casa a secretaria me
fez deitar na cama e pediu para eu descansar. Eu realmente estava
cansado, mas a presença de uma estranha na minha casa não me
deixava tranquilo, fui sincero com ela e recebi em reposta uma ficha
quase completa.
Meu nome é Karina,
tenho 23 anos, faço faculdade de letras e estou estagiando na
editora a um ano, já li todos os seus livros e agora não sou mais
estranha, por favor descanse que eu já volto.
Depois da apresentação
ela simplesmente saiu do quarto, escutei barulhos na cozinha, mas o
cansaço era tanto que adormeci.
Quando acordei ao lado
da cama um bilhete da Karina dizia: Tive que ir embora, na garrafa
térmica tem chá de camomila sem açúcar e coma também os
biscoitos. Deixei pronto o almoço do senhor é só esquentar e
comer. Amanhã eu volto para ver como está. E agora
descanse e não se preocupe com a reunião eu explico tudo para o
pessoal da editora.
Levantei...