quinta-feira, 3 de julho de 2014

Parte 2 (ainda sem título)

(Ainda sem título)

Parte 2


No dia seguinte tentei mais uma vez chegar ao meu destino. Os problemas foram os mesmos do dia anterior, mas tentei de forma desafiadora vencer aquele mal estar, mesmo sem saber o que era aquilo. Na porta da editora, quase sem forças para ficar em pé, eu me apoiei na parede para tentar recuperar o fôlego e continuar mais um trecho daquela batalha. Fiquei parado por uns cinco minutos, mas parecia estar me equilibrando em frágeis estacas prestes a quebrar com um leve movimento do meu corpo. Naquele momento eu só pensava em ir pra casa, mas ao mesmo tempo queria desafiar este mal que me afligia de forma tão cruel.
No momento que eu já desistia de qualquer tentativa de avançar senti um toque leve em meu braço e uma voz familiar perguntando se eu precisava de ajuda. Fiquei quieto apenas balancei a cabeça negativamente na esperança de me livrar de seja lá quem fosse. Mas não foi suficiente a voz se identificou como secretaria da editora e também que havia me reconhecido. Confirmei que eu seria o escritor e que tinha falado com ela no dia anterior, ela percebeu o suor escorrendo no meu rosto e a fragilidade em que me encontrava e disse que eu ainda não estava em condições de enfrentar reuniões naquele estado. Apenas balancei a cabeça concordando com ela. A secretaria então segurou mais forte em meu braço e disse que iria me levar de volta para minha casa e alertou que não adiantava protestar. Pensei que seria um longo caminho, cheio de perguntas de uma jovem secretaria se achando no direito por salvar-me daquela situação, mas aconteceu o contrário, ela não fez nenhuma pergunta, apenas me segurou por um tempo enquanto caminhávamos.
Quanto mais próximo de casa, mas bem disposto eu ficava só que já não tinha vontade de mandar a secretaria ir embora, a companhia silenciosa estava me fazendo bem. Chegando na porta de casa falei que já estava recuperado e que só precisava descansar e que ela poderia voltar para editora que depois eu ligava para o pessoal para explicar o atraso dela. Ela simplesmente entrou pela portaria dizendo que só saia de lá depois de me ver deitado na cama e pronto para descansar. Fui duro dizendo não precisar de mais ajuda, mas ela ignorou toda e qualquer autoridade que tentei demonstrar naquele momento, ela já estava segurando a porta do elevador esperando eu entrar.
Em casa a secretaria me fez deitar na cama e pediu para eu descansar. Eu realmente estava cansado, mas a presença de uma estranha na minha casa não me deixava tranquilo, fui sincero com ela e recebi em reposta uma ficha quase completa.
Meu nome é Karina, tenho 23 anos, faço faculdade de letras e estou estagiando na editora a um ano, já li todos os seus livros e agora não sou mais estranha, por favor descanse que eu já volto.
Depois da apresentação ela simplesmente saiu do quarto, escutei barulhos na cozinha, mas o cansaço era tanto que adormeci.
Quando acordei ao lado da cama um bilhete da Karina dizia: Tive que ir embora, na garrafa térmica tem chá de camomila sem açúcar e coma também os biscoitos. Deixei pronto o almoço do senhor é só esquentar e comer. Amanhã eu volto para ver como está. E agora descanse e não se preocupe com a reunião eu explico tudo para o pessoal da editora.

Levantei...

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