Ele antes inquieto se calou
As vezes até tenta gritar
Mas petrificou
Não por medo
Mas por muito pavor
Ele ainda trabalha
Ele ainda circula
Mas trava em casos
E acasos também
Trava como se nunca fosse ninguém
Ele nutre ternura
Ele enxerga candura
Mas sempre em terceira pessoa
Ele não conjuga o eu
O medo é antigo
E tornou-se breu
Mas aos poucos tenta reencontrar a luz
Tateando cada passo
Cada pulso
Cada silêncio
Cada barulho
De dura suas paredes voltam a amolecer
Mas a qualquer sinal de perigo
Como tartaruga volta ao esconderijo
E para sair de novo
É o mesmo sacrifício de nascer de um ovo.
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