(Ainda sem título)
Parte 1
No começo parecia
somente uma fase, acreditei nisso e na velha e batida frase “tudo
passa”. Mas parece que não foi assim neste caso. Tudo foi
gradativamente se complicando, no começo pensei não haver mal,
precisava daquilo, sentia uma certa necessidade daquela situação.
Só que com o tempo foi se transformando em algo sem reversão, eu
não sabia mais como retomar o ponto em que parei. Aquela altura eu
tinha perdido o tino social. Antes eu era o carinha das amizades
variadas, maleável socialmente, sem restrições e até muito
paciente com aqueles que estão ali só para roubar o seu tempo e ir
embora. Hoje até o contato virtual com outra pessoa me tira o ar.
O meu trabalho mostrou
que o problema estava no limite. Eu sou um escritor e só recebia por
e-mails as solicitações dos trabalhos a serem feito, entregava no
prazo solicitado e recebia os valores combinados pela editora. Os
meus últimos três livros não teve noite de autógrafos. Apesar das
vendas terem sido dentro das expectativas da editora, fui
praticamente intimado a comparecer a sede da editora para uma
reunião. O assunto em pauta era um plano de marketing para alavancar
as vendas dos meus títulos publicados e dos próximos lançamentos,
se houverem. Este "se houverem" no corpo do e-mail me deixou com mais
temor ainda, pois o próximo livro já seria sobre um novo contrato e
com certeza este contrato dependeria desse plano de marketing. Os
meus perfis sociais em redes sociais, gerenciado pela editora, era só
cobranças de fãs, segundo os meu editores todos cobravam minha
presença em eventos, encontros literários, um contato mínimo com
quem sustentava o meu trabalho. Realmente nos últimos três livros,
que foram lançados em um espaço de cinco anos, eu praticamente não
tive e nem busquei contatos com os meus leitores. Mas o pior
aconteceu no dia em que fui para reunião marcada. A caminho da
editora, que fica a menos de um quilometro da minha casa e eu
costumava ir caminhando até lá, senti os efeitos de algo ainda
desconhecido para mim naquela altura. Senti palpitações e quanto
mais próximo do meu destino maior era a intensidade, minha mão
suava frio e tremia muito. Parei, virei para retornar o caminho para
casa com medo de desmaiar, dando alguns passos tudo tinha voltado ao
normal, automaticamente parei e retornei ao meu destino inicial, a
editora, depois de duzentos metros de caminhada os efeitos voltaram
mais forte somando-se a eles uma forte falta de ar. Voltei para casa
rapidamente com a certeza de estava precisando de cuidados. Mas ao
chegar em casa me sentia normal. Peguei o telefone e remarquei a
reunião, falei com a secretaria, mas parecia que nunca tinha falado
com alguém, as palavras não saiam direito. Expliquei para moça que
não estava me sentindo bem e pedi para remarcar no dia seguinte, ela
percebeu a agonia em minha voz, eu só pensava em desligar o
telefone, então ela me perguntou se não estava precisando de ajuda,
que poderia mandar alguém para ver como eu estava, agradeci e disse
que estava melhorando e pedi para ela somente remarcar a reunião e
desliguei o telefone.
No dia seguinte...
Continua
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