terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cotidiano silencioso

Já são três e dez da manhã.
Deveria estar cansado.
Deveria estar com sono.
Mas estou aqui trabalhando.
E já são três e dez da manhã.
Já busquei o problema.
Será que não sou normal?
Vi que não.
Li que não.
Mas sempre tem alguém para dizer.
Você tem que acordar cedo.
Isto não é vida.
Tem que acertar os seus horários.
Já são três e treze da manhã.
Estou produzindo muito.
Estou trabalhando bastante.
Mas as vozes de quem critica ecoa.
A dor no peito magoa.
Mas já são três e quinze da manhã.
No rádio uma entrevista reprisada.
No computador um vídeo sendo renderizado.
Amanhã tenho que pegar exames.
Pois obrigaram resolver os meus problemas.
Parece que é só isso.
Se mova.
Resolva.
Se trate.
Não se maltrate.
E a única coisa que penso.
É que são três e dezessete da manhã.
No rádio quem fala é o Pelé.
Mas não fala dele, fala de Pépe.
E o vídeo continua sendo renderizado.
Amanhã eu tenho exames para buscar.
Burocracias para cumprir.
Mas quando chegar a madrugada.
Estarei pronto para produzir.
Agora já são três e vinte da manhã.
E o vídeo renderizou.
Vamos para o próximo.

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