quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Travas

Naquele dia, ela acordou decidida. Ia dar um basta em sua vida. Deixaria para trás os traumas, as angustias e todo medo acumulado não auge de seus dezoito anos. Os poucos amigos não teve tempo para saber seus segredos. Os poucos familiares não teve tempo de ouvir os seus lamentos. E o pouco dela que ainda queria continuar se escondeu de medo de não aguentar. Ela então seguiu. Decidida, andou até a estação mas próxima do metrô. Se posicionou na frente da passarela. Só ela e o infinito. O metrô chegando na estação, ela respirou fundo, fechou os olhos. Sentiu um toque no braço esquerdo e uma voz fazendo uma pergunta: "Você sabe aonde tem um cinema mais próximo?" Ela abriu os olhos olhou para o lado sorriu e respondeu daqui duas estações. O metrô parou, abriu as portas e as duas entraram. "Você é daqui?" Pergunta a companhia inesperada. Ela então responde que sim. "Você vai fazer algo importante agora?" Segue perguntando. Ela disse não com um balançar a contragosto. "Eu tenho dois ingressos vem assistir comigo. Sou nova aqui e me sinto muita sozinha nessa imensidão de cidade, nunca vi lugar tão grande, cheio e solitário como São Paulo." Ela não respondeu, ela não se mexeu, mas a sua companhia sem cerimônia deu o ingresso em sua mão e disse. "Este filme fala de uma garota de dezoito anos que resolve acabar com a vida em uma cidade grande por se sentir só. Eu me identifiquei com a história." Dava para ouvir as travas do coração dela desarmar uma a uma. Ela sorriu e disse. "Meu nome é Clara e o seu?"A companhia inesperada sorriu e disse o meu é Joana.

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