sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Quando dormem
A cidade estava silenciosa aquela noite. No máximo uma moto passando na rua com a velocidade que a juventude permite. Ele resolve sentar em plena madrugada em sua garagem, meio que escondido entre plantas e escuridão. Estava sem sono e quis ver o que se passa quando ninguém ocupa a rua, nem a luz, nem as pessoas, nem sequer o vento se atrevia passar naquela noite quente e seca. Mas ainda sim ele quis sentar e observar. Um gato em cima do muro em frente fica em posição de ataque. Gato branco, mas um branco encardido de sua boêmia. Não se move, apenas olha para o chão. Mas não tem nada lá, nada que um simples mortal não veja, pois de repente um rato de telhado aparece despreocupado como procurando algo para comer. O gato se ajeita. O silêncio e a falta de vento parece estar do lado dele. E contra o rato está a fome e sua obstinação. Mas de repente um barulho de moto vem de longe, o rato não está mais focado em sua tarefa, e fica alerta. O gato então pula do muro na frente do rato. Com o susto o gato dá um salto mortal para trás e sai em disparada. A moto passa rompendo o silêncio. O gato agora lambe as patas, olha para um lado, olha para o outro se espreguiça e some novamente para o muro. Pelo jeito essa caçada não é novidade para nenhum dos dois. Na parede da garagem o nosso observador noturno percebe uma movimentação. Uma barata se movimenta displicentemente e em um bote rápido uma largatixa a engole. Ele olha para o céu e fica imaginando se naquela imensidão toda tem essa agitação de pequenos mundos que se complementam, mundos ignorados por outros mundos. Ele respira fundo e se senti satisfeito por testemunhar aqueles momentos e perceber que a muito a ser conhecido, muito mesmo.
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