Novo mundo
Aquele dia ela estava feliz em seu quarto de pensão, em sua privacidade declarada, em seu mundo escolhido. Ela decidiu não se submeter as regras dos pais, saiu de casa sem rumo, mas decidida a seguir em frente. Mora em um quarto que tem três por quatro metros. Parece não ser muito, mas sobra espaço para sua vida nova, para os seu novos amigos, para suas novas aventuras. Ela está sozinha, ainda sem proteção, sem segurança de sair a noite, sem segurança para sair de dia. Mas ela já tinha sua decisão tomada, aquele dia ela estava feliz.No quarto apenas uma cama, um pequeno armário e uma mesa. Em cima da mesa tinha quase nada, sendo quase tudo o que ela tinha. A pouca roupa que trouxe foi o que coube na mochila surrada, cheia de desenhos da época da escola e botons de bandas que ela adorava. Debaixo do colchão ela deixou uma faca, ela não se sentia segura, mas a felicidade a recompensava. O rádio, pequeno mas com todas as musicas para ela suportar o amanhã, foi posto no chão, ao lado da cama, ao alcance do braço. Junto com o rádio dois livros. O mundo de Sofia e O apanhador no campo de centeio, os dois lidos pelo menos três vezes cada, mas companheiros enquanto fizer sentido ser, era o que ela dizia ao reler.
Era o primeiro dia longe de tudo que ela conhecia e a noite nunca pareceu tão sombria. Barulhos que não cessam, passos, risadas, vidas. Muito diferente do silêncio imposta pelas regras que ela escolheu não mais seguir. A respiração agora é pesada, um momento de hesitação, mas vem em sua cabeça a voz que disse não durar mais de uma noite a rebeldia revolucionária de quem teve tudo sem nenhum esforço, essa lembrança recente serviu de acalanto em meio a escuridão barulhenta de seu novo lar. E assim ela adormeceu.
No dia seguinte mal o sol nasce e ela está de pé, tem entrevista em uma loja de CDs antigos que é de um amigo de um amigo que decidiu ajudar. A loja fica na galeria do Rock, praticamente o patio do colégio dela, melhor dizendo aonde ela estava quando devia estar na escola. Ela estava ciente que seria um novo mundo, transformaria o lugar de diversão e lazer em seu lugar de trabalho. Foi disposta a começar no mesmo dia e convencer que seria capaz de trabalhar bem e conquistar o seu pão com o próprio esforço. A entrevista correu bem, tudo como planejado começou a trabalhar no mesmo dia, limpou e conheceu todos os CDs e discos da loja, as raridades e os sagrados era assim que o pessoal da loja classificava as relíquias das lojas. Não parecia trabalho pra ela e sim diversão. Conheceu os esconderijos das relíquias, ficava animada por ver coisas que antes só tinha escutado histórias. No horário do almoço comeu como se não tivesse amanhã, na verdade comeu pensando em aguentar até amanhã, pois não teria dinheiro para comprar algo para o jantar, só tinha dinheiro para completar a semana e teve vergonha de pedir para guardar um pouco para janta, pois almoçou junto com dois funcionários da loja e o seu novo chefe. Voltou do almoço continuou seu trabalho com a mesma dedicação e felicidades com as descobertas naquele mar musical. No fim do dia cansada não teve barulho que a incomodasse. Ela apenas dormiu.
Continua...
Tão eu em minha adolescência pouco distante. Tenho até O mundo de Sofia de cabeceira.
ResponderExcluirSó não sai de casa pra morar em uma pensão, mas pensei.
Que bacana! Acompanhe espero que goste do desenrolar.
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